Centro de Pesquisa e História da Mulher

Ficha Técnica:
Projeto Arquitetônico: Juliana Aguiar
Data do projeto: Julho de 2009
Área Construída: 5023m²
Local da Obra: Salvador/BA
http://www.urbanrecycle.com.br

Autora: Juliana Meira de Araújo Aguiar

Orientador: Leandro S. Cruz
Co-orientador: Marcio Correia Campos

Projeto do Centro de Pesquisa e História da mulher será um lugar de estudos e pesquisas sobre o comportamento e história do gênero feminino buscando a sua importância junto à sociedade e todas as conquistas obtidas no século XX em todos os aspectos políticos, culturais, econômicos e sociais, positivos ou negativos, que estão em permanente processo de construção, principalmente quando refere-se às classes menos favorecidas (em micro escala) e países subdesenvolvidos (em macro escala) onde esse quadro é de total atraso e mudanças só acontecem a muitas penas. Mas o CPHM ( Centro de Pesquisa e História da Mulher) além de ser um espaço de pesquisa e estudos, como um importante meio de comunicação não tem a pretensão de se colocar somente nessa posição de passividade. Ele não será um lugar fechado em si próprio, possibilitando aos diversos públicos, principalmente ao feminino, experiências sensíveis através tanto dos estudos sobre a história como serviços, comércio e atividades culturais às pessoas disponibilizando comunicação e entretenimento e participação fisicamente do seu público e da sociedade em que está inserido. Ele está localizado no Centro Histórico de Salvador, em uma área urbana de valor histórico – cultural que apesar de todos os processos de abandono e degradação que sofreu e ainda sofre, consegue se manter como uma das áreas mais dinâmicas da cidade sendo um local de trabalho, produção e diversão.

Sobre o Terreno

O Centro Histórico de Salvador é dividido em quatro sub-regiões, são elas: São Bento/Barroquinha; Misericórdia/Castro alves; Pelourinho/Sé; Santo antônio/Carmo.

A sub-região de São Bento – Barroquinha é um bairro tradicionalmente residencial, mas que vem sendo ocupado por comércio e serviços que aumentam a cada dia, alterando assim suas características identitárias. O terminal de ônibus situado na barroquinha aumenta o trânsito de pessoas de diversas partes da cidade contribuindo para o aumentos desses pequenos comércios e serviços no bairro.

O terreno escolhido para a intervenção se localiza ao lado do Mosteiro de São Bento no Largo de São Bento em uma esquina delimitada pela Ladeira das Hortas e a Rua Visconde de ouro Preto. A área é na verdade composta de três terrenos pertencentes ao mesmo dono dos quais um deles possui uma edificação antiga. Os outros dois possuíam casas que foram destruídas por incêndio e hoje servem de estacionamento.

O edifício existente trata-se do Hotel São Bento que nada tem a ver com o Mosteiro além do nome. O hotel não é tombado e não possui valor arquitetônico. Ele possui mais ou menos 200 anos e ao longo desse tempo sofreu pelo menos quatro grandes modificações. Inicialmente constituia de apenas dois pavimentos, um subsolo e outro térreo, e mais tarde acrescentado mais dois pavimentos em diferentes épocas inclusive modificações em sua fachada. Antes de se chamar São Bento ele era chamado de Hotel Bela Vista, nome esse por conta da visualização para a Baía de Todos os Santos através de quase todas as suas fachadas. Contudo com a construção de edifícios altos em seu entorno essa “bela vista” vislumbrada pelos hóspedes do hotel foi perdida e junto com ela o seu nome, que foi trocado por Hotel São Bento. Tratava-se de um hotel popular, o mais antigo da Bahia e o de maior capacidade de hóspedes durante muito tempo. Com a morte do antigo proprietário – pai do atual dono – o hotel continuou funcionando administrado pelos próprios funcionários e logo entrou em processo de abadono e descaso, fechando suas portas definitivamente. Está há 13 anos desativado. Hoje o hotel está bastante destruído com muitos ambientes completamente sem pisos ou lajes.


Elementos Conceituais

A Década de 60

Foi um a época de um a grande revolução comportamental com o surgimento de movimentos feministas, a favor dos negros e homossexuais. A libertação das mulheres ganhou força nesse período com a descoberta da pílula pílula, revolução no mundo da moda, imprensa feminista, o cinem a de mulher e estudos sobre o gênero enquanto área de conhecimento. Analizando as expressões artísticas dessa época, foram retirados elementos para conceber o projeto, principalmente da op art.

Personagem – A Mulher de roxo

Quem viveu em salvador nos anos 1970, acostumou-se a ver uma senhora vagando pelas ruas do centro histórico, quase sempre vestida com roupas longas de cor roxa, mantas compridas, um grande crucifixo e uma Bíblia na mão. Sua vestimenta, seus acessórios e o modo como ficava nas ruas – sentada, sem conversar ou pedir esmola – suscitava a imaginação dos transeuntes. Sempre ficava próxima à loja Slopper, magazine localizada na Rua Chile. Era um mito popular. Alguns afirmavam que ela se chamava Doralice, outra florinda. Estória sobre sua vida e o porquê daquela mulher viver nas ruas podem ser encontradas em livros, contos publicados em jornais e até em vídeo. A história mais fundamentada diz que a mulher de roxo “apareceu nos anos 1960 na “zona” do Pelourinho, na casa de núm,ero 6 da rua Gregório de Mattos, em um bordel conhecido como Buraco doce. Ela era uma mulher muito bonita, tinha cabelos negros longos, vestidos caros e jóias” (FÉLIX, 1995, p101). Depois é que passou a morar nas ruas. Ora ela perambulava vestida de noiva, com buquê, véu e grinalda. Daí surgiram diversas lendas para explicar a exentricidade dessa mulher: que havia sido abadonada no altar, ou que era uma ex-freira expulsa do convento por causa de um namorado, ou ainda que tinha um filho que a rejeitava, ou que havia sido muito rica, que era professora, e por tudo ou nada disso, havia enlouquecido. De certo nada se sabe a respeito dessa personalidade marcante no CHS.

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