A morte do papel

Qualquer professor de projeto sabe que atualmente, ao entrar numa sala de aula pedindo um projeto desenvolvido “a mão”, certamente será alvejado com palavras e murmúrios por seus alunos. Até pouco tempo atrás, a resistência era contra os softwares CAD – Computer Aided Design,(Desenho Auxiliado por Computador), os estudantes (ou pelo menos uma grande parte deles) “correm as léguas” de qualquer coisa que pareça um lápis e desenvolveram uma certa aversão à prancheta.

Atualmente, muitos profissionais que não se adaptaram ao “novo estilo de projetar” tentam resistir aos softwares de plataforma CAD. Muitos argumentam que os desenhos em CAD não são bem elaborados ou que o processo criativo é prejudicado, quando se cria no computador. Temos que admitir que um projeto feito “a mão” tem seu diferencial, mas caiu em desuso e praticamente é inaceitável pelo mercado. Já existe uma quantidade muito grande de profissionais que trabalham com maestria no computador, são “cadistas” muito eficientes e podem elaborar um projeto com um nível de detalhamento inimaginável há 25 anos atrás, quando surgiram os primeiros softwares CAD disponíveis no mercado.

Há muito que se agradecer ao desenvolvimento tecnológico na área de AEC (Arquitetura, Engenharia e Construção), vide Frank Gehry, Norman Foster, Peter Eisenman, Zaha Hadid, os quais teriam muitos de seus projetos inviabilizados tecnicamente sem o auxílio de supercomputadores e softwares, que vão além do alcance da maioria de nós arquitetos, brasileiros e “normais”. Sonhar sempre foi permitido, entre os arquitetos, porem seus delírios muitas vezes eram vetados por questões técnicas e literalmente os papéis e seus croquis tinham de ser amassados e “morriam” na lixeira mais próxima.

Quando acreditamos que estamos começando a dominar os softwares CAD, eis que surgem as ferramentas BIM – Building Information Modeling (Modelagem de Informações de Construção), ainda não muito difundidas no Brasil, que tornam tudo o que conhecemos de CAD obsoleto. Projetar está se tornando “construir virtualmente”. Agora o projeto vem agregado de informações gráficas, numéricas e textuais. Projetar e modelar estão se tornando sinônimos.

A concepção de um projeto é individual e instranferivel, deve-se respeitar o universo criativo de cada um, pois somos livres para criar fisicamente ou virtualmente. Como arquiteto recém-formado (Todavia, trabalhando com o mundo digital há algum tempo), deixo um apelo aos professores de nossas universidades: “Não censurem a criatividade de seus alunos; não imponham um método de projeto; estimulem a criatividade de cada um; deixem livre a escolha das ferramentas; não deixem o papel “morrer”, mas também não impeçam pixels e vetores de nascerem e tornarem-se em magníficas construções não-abstratas”

Bruno Tupinambá
Arquiteto e Designer estratégico

www.portaldoarquiteto.com

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